segunda-feira, 1 de junho de 2009

Comunicação Institucional é necessidade, mas não vende

Algumas empresas (não poucas) relacionam o serviço de assessoria de imprensa ao aumento das vendas. Isso pode acontecer, embora seja infundado tratar a questão como regra. Por meio de relacionamento com os jornalistas envio de sugestões de pautas as agências de comunicação podem conseguir espaço na mídia para produtos e serviços de seus clientes, mas isso, por si só, não eleva seus volumes de negócios, pois as companhias não atingem todos os públicos de interesse. A imprensa deve ser tida como um público, não um meio, e por isso é enganosa a idéia de concebê-la como capaz de atingir a todos.

Mas os clientes não são os únicos a ceder à tentação de acreditar que a assessoria de imprensa é capaz de alavancar vendas. Algumas agências chegam a estimular essa idéia na tentativa de captar clientes. Recentemente, recebi um e-mail de um curso, ministrado por uma diretora de agência de comunicação, sobre como os executivos podem usar a imprensa para elevar volume de negócios e fortalecer marcas, com um programa que discorre sobre casos de grandes companhias cujas marcas se tornaram sinônimos de produtos ou serviços que comercializam. Trata-se de um argumento polêmico, embora possa funcionar como “canto da sereia” ao trabalhar a idéia de que a assessoria de imprensa funciona como “publicidade gratuita”.

Os executivos devem ter em mente que as empresas que conseguem notoriedade para suas marcas não investem apenas em assessoria de imprensa, mas se comunicam com acionistas, funcionários, comunidade, governo, entidades de classe, alem dos consumidores, por meio de propaganda, ações promocionais, merchandising, etc.; essas são ferramentas realmente eficazes para elevar vendas. Comunicação institucional não vende, pois a imprensa veicula apenas as informações que considera de interesse público, sejam elas sugeridas ou não.

Ao “emplacar” uma sugestão de pauta, a companhia se comunica com a imprensa e, indiretamente, com outros setores da sociedade. Mesmo sendo essa uma ferramenta fundamental ao sucesso da comunicação de uma empresa, há públicos que interferem em seus resultados que ficam de fora desse contexto. Assim, é necessário estabelecer uma comunicação particularizada com cada um dos públicos para a companhia ser percebida pela sociedade de forma similar e positiva.

Comunicar-se com diversos públicos é necessidade das empresas de todas as áreas. A comunicação corporativa evolui constantemente no País e no mundo devido ao aumento das exigências das pessoas por informações claras e transparentes em todos os segmentos da sociedade.

Hoje, as agências têm à sua disposição uma série de ferramentas para integrar a comunicação de seus clientes, necessidade que também está ligada ao desenvolvimento de novas formas de as pessoas se relacionarem, ocasionadas principalmente pela revolução digital. A internet impôs velocidade no trânsito de informações e, hoje, uma notícia veiculada pela imprensa pode ser considerada “ultrapassada” num curto espaço de tempo. Agências e clientes, na busca por formas eficazes de se comunicar com os vários públicos, recorrem à transmissão de mensagens por intranet, websites, blogs, hotsites, conferências online, videocast, podcast, SMS (torpedos), enfim, a uma série de mecanismos que permitem particularizar as mensagens de acordo com o público que pretende atingir.

A evolução da comunicação e de seus processos confirma que, apesar de importante a imprensa não é o único público que merece a atenção das empresas. É apenas por meio da soma de conhecimentos de muitas áreas da comunicação que as companhias conseguem transformar suas marcas em patrimônios fortes, com imagem positiva junto aos consumidores e a todos os outros segmentos da sociedade.


Fonte: Por Antonio De Salvo, in Revista Meio & Mensagem, Nº 1270, página 48, agosto de 2007.


Quero saber a opinião de vocês sobre esse texto. A grande questão que se coloca nesta discussão é a seguinte: será que o autor está certo? Leia o artigo e deixe seu comentário.

10 comentários:

  1. Juarez Guedes

    Acredito que é uma ferramenta que dentre outras que o próprio autor coloca, colabora com a construção da imagem da marca. No momento em que passamos por um processo de padronização dos produtos e serviço o diferencial passa a estar cada vez mais atrelado ao poder dessa imagem. O que no meu ponto de vista faz com que a comunicação institucional venda, pode não alavancar as vendas de forma imediata como acontece em decorrência da utilização de ferramentas mais especificas, mas vende. O poder de se ter um posicionamento “natural”, a marca exposta por fatores positivos e isso chegando aos diversos stakeholders, possui um poder de gerar credibilidade que em muitos negócios é a base para o relacionamento comercial da marca/empresa com o seu cliente. Exemplo típico são os ramos da construção civil e o mercado financeiro. Ao imaginarmos uma noticia sobre a saúde financeira e potencial de crescimento de determinada empresa isso resulta em um forte volume de negócios no mercado financeiro. Na mesma forma como uma matéria sobre mercado imobiliário utilizando como parâmetro de credibilidade determinada construtora pode amplificar a força da sua imagem perante um determinado público e ser um argumento interessante de comercialização. A cada novo momento da publicidade mundial eu vejo um desenho cada vez mais próximo do advertorial, uma mistura do editorial com o comercial. Agora lógico que de forma pensada, estratégica, sem exageros pra não colocar a credibilidade dos meios de comunicação em xeque.

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  2. Concordo com o Juarez e acredito que por muitas vezes quando a imprensa divulga algo "institucional" de alguma empresa, logo vão comentar que foi "matéria paga" e não como uma informação considerada um serviço público para a sociedade... Sei que isso acontece mas não é em 100% dos casos, e nessas horas a sutileza deve existir para que o veículo não seja colocado na berlinda, como acontece em diversos casos até aqui em nossa Paraíba.
    Concordo com o autor quando ele afirma que comunicação institucional não vende mas é uma necessidade. As empresas precisam ir além da imprensa para atingir seus públicos... e acho que o lance das mídias sociais é uma boa opção para a divulgação das ações institucionais de qualquer empresa.

    Camilla Coriolano

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  3. Concordo com o autor e com os colegas quando reforçam que a assessoria de imprensa deve ser tratada de forma integrada com outras ferramentas, dentro de um plano de comunicação institucional. Dessa forma, defendo a idéia de que ela não pode ser descartada, nem tampouco usada como única possibilidade! Em um cenário onde cada vez mais a informação toma novas proporções, entendo que a assessoria de imprensa têm um papel relevante no mundo empresarial na construção e formatação de uma imagem e identidade corporativas fortes e positivas de uma organização. Por outro lado, há que se considerar quando ela é realmente pertinente, como também a forma que é apresentada, pois vai influenciar diretamente no feedback dessa ação. A credibilidade da organização vai ser indiscutivelmente atrelada a credibilidade do veículo.

    Priscyla Nelina

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  4. Sendo breve...Sabemos que uma das principais funçoes de um assessor de imprensa é deixar mais perto os meios de comunicação da empresa, como noticias, anuncios e informaçoes do interesse público. Assim, vejo que há uma relação direta com os meios de comunicação. Não podendo ser vista como única possibilidade, mas como um dos meios a serem utilizados nas grandes instuiçoes, uma vez que a informação necessita de diversos composto de comunicação, não esquecendo que assessoria de imprensa está inserida nele

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  5. A assessoria é mais uma ferramenta que colabora na divulgação e venda do produto, porém, creio que a empresa não deve focar apenas nesse tipo de mídia, precisa investir muito além disso para ganhar destaque no mercado cada vez mais competitivo. Propaganda, ações promocionais,merchandising, são ferramentas que costumam atingir todos os públicos de interesse e consequetemente eleva o número de vendas é importante também que as empresas acompanhem a evolução da comunicação e somem conhecimentos adquiridos nessa área para fortalecer sua marca diante do consumidor.

    Aline Benevides

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  6. Acredito que a imprensa pode sim ajudar o aumento de vendas, nao diretamente, mais quando uma empresa cai na midia, e a imprensa foca um determinada empresa indiretamente ela esta fazendo a propaganda e aguçando a vontade de um determinado publico, claro que não é o unico meio de comunicação nem o mais viavel, muitos veem como um meio de propaganda gratuito por que estara na midia, de graça, mais nem sempre ele funciona, por que você depende do ponto de vista do jornalista,e nem sempre a noticia sai como o empresario quer. Toda empresa deve atingir a todos os publicos por todos os meios de comunicação inclusive ter uma boa acessoria de imprensa.

    Juanna Lira

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  7. A comnunicação institucional vende sim! Vende a imagem da empresa/ marca, posiciona.E aliar isso à imprensa é essencial...
    Acho que um dos grandes tesouros empresariais hoje em dia, é ser vista, posicionada e ser sempre lembrada. Qdo a marca tem sua imagem bem difinida e a publicidade é focada em mostrar isso em veículos pertinentes, ela conquista um diferencial.
    É complicada essa questão, mas acho que assessoria de imprensa, ferramentas de mkt e publicidade institucional funcionam muito bem juntas, se reunidas e bem trabalhadas vendem...E vendem muito.

    Lorena Barbery

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  8. Sem duvidas o autor esta coberto de razão em falar que a comunicação institucional não vende, mas é uma necessidade, entretanto cabe a todos priorizar uma vantagem estratégica, como pioneirismo digamos assim, e forçando a concorrência a gastar muito mais com uma assessoria pra chegar onde o mesmo chegou unindo credibilidade a marca em si.

    Ismael Nunes

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  9. Acredito que a assessoria de imprensa não estabelece somente uma vantagem estratégica, e sim cuida de toda a imagem da empresa, tendo que inclusive estar apta a melhorar essa imagem num caso de crise. Mas realmente acbe a empresa utilizar outros tipos de focos de mídia para aumentos de vendas.

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  10. Acredito que a comunicação institucional é de suma importância para qualquer organização que está inserido no âmbito da competitividade para atrair os consumidores. Embora ela tenha seu peso significativo, de certa forma, ela por si só não vende e por isso tem que ser aliada a um diálogo com os stackeholders, ou seja, aqueles que direta ou indiretamente interfere no âmbito que a organização vive, como os consumidores, acionistas e a comunidade em geral. É preciso haver uma essa interação entre o diálogo com os stackeholders e o investimento na imprensa para fortalecer a sua comunicação, pois no momento em que a organização souber trabalhar esses dois fatores de forma aliada, certamente vão conseguir um dos seus objetivos, que é vender.

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